sábado, 11 de julho de 2009

diálogo

Sim moço!
Sou filha do asfato.
Queria mesmo ser da terra,
vinda do mato,
com cheiro de fruta do pé.
Mas não.
Sou filha da rua.
Quadrada, podada e criada.
Sou filha de um carnaval da carne.
Nasci filha mulher,
nunca menina.
E duvido de quem seja.
Sim moço!
Sou filha de puta!
De esquina e caminhão.
Sou filha de um sonho
que nasceu na contramão.

4 comentários:

Bruna de Sousa disse...

Que talento, Ronalda!
Adorei seu texto. De verdade.

Beijos

Sidney Andrade disse...

Moça, gostei dos teus versos. Vou comentar neste post porque é o último (e muito bom), mas o comentário é sobre o anterior:

"Somos infelizes. Jamais sobreviveriamos
À liberdade de leves e inconseqüentes
ações."

Que delicadeza admirável, gostei bastante.
volto aqui.
Beijo.

Bia disse...

Tenho que discordar de vc!
Vc nasceu de um amor louco,doído,desnaturado, mas deliciosamente gostoso...
E o melhor: foi desejada e amada quando ainda brincava na nuvem com outros anjos tão lindos e sensíveis quanto vc!
E um desses anjos vc conhece e ele te acompanha até...sempre!

Ariana Fernandes disse...

Bia, esse texto está cheio de metaforas, o fato d'eu dizer que sou filha disso ou daquilo não quer dizer que eu esteja falando dos meus pais mesmo. Se for o caso, releia e re-interprete.

Postar um comentário