Medo de quando as palavras escorregam,
e a gente não vê os raiozinhos de sol por detrás dos fio de cabelo,
e não ver é como se o Sol não existisse.
E se ele não existe não tem dia pra passarinho cantar,
nem praia pra brincar de castelinho de areia,
e a gente nem vê se tem carambola no pé.
Só da pra ver com lanterna.
E amor com lanterna é frio,
precisa de pilha, e aquelas coisas de invenção chata.
Quase suco de manga com açúcar mascavo.
Amarga o peito.
É dia pra sempre envelhecido.
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
terça-feira, 4 de agosto de 2009
Não ter tempo pra escrever
É apenas um dos motivos.
A verdade é que
Tudo o que em mim brota
parece-me sempre um pouco inutil
diante dos sentimentos do mundo.
Que dor de amor
há de superar a morte?
Quem há de se importar
com as cores dos meus céus
com a barriga rasgando de fome?
É apenas um dos motivos.
A verdade é que
Tudo o que em mim brota
parece-me sempre um pouco inutil
diante dos sentimentos do mundo.
Que dor de amor
há de superar a morte?
Quem há de se importar
com as cores dos meus céus
com a barriga rasgando de fome?
sábado, 25 de julho de 2009
X
Me veio canto de passarinho
Daqueles tão doces
Que fazem a beleza gaguejar no peito
E transbordar da alma.
Me veio manga de quintal
sem garfo ou faca,
feito preu lambuzar
boca, rosto e vestido
Me veio canção
Como quem entrega no verso
o beijo mais doce.
Me fez por teus olhos poetisa.
Me veio anjo
Dos mais lindos que existem
Pra me protejer do frio
E cuidar da minha bagunça.
Me veio amor
sem peso, pressa, fita ou data
giz de cera no colchão
gosto de flor de manhã.
Daqueles tão doces
Que fazem a beleza gaguejar no peito
E transbordar da alma.
Me veio manga de quintal
sem garfo ou faca,
feito preu lambuzar
boca, rosto e vestido
Me veio canção
Como quem entrega no verso
o beijo mais doce.
Me fez por teus olhos poetisa.
Me veio anjo
Dos mais lindos que existem
Pra me protejer do frio
E cuidar da minha bagunça.
Me veio amor
sem peso, pressa, fita ou data
giz de cera no colchão
gosto de flor de manhã.
quinta-feira, 23 de julho de 2009
Pois queria escrever. Mas os sentimentos às vezes dão um trabalho danado para se desprenderem da alma pro papel. Grudam, sabe? Um no outro, que nem quebra-queixo no dente. É uma coisa! E alma é um troço difícil de se palitar. É frágil. Vai que se palita e se fura no lugar errado? Ia ser um Deus-nos-acuda de tanto sentimento vazando por aí! Já imagino a gente toda correndo com medo dos palavrões, e gente se acotovelando para pegar uns beijos estalados e uns orgasmos pra levar pra casa. Vixe! E quando vissem o tamanho do que sinto por ele? Ia ser velhinha desmaiando, homens olhando horrorizados... Pior! Um monte de moça querendo roubar e trancar em seu armário pra espiar toda noite antes de dormir. Não, certamente não daria certo. Pois bem, que não se palite então. Mas continuava a querer escrever. Apenas precisava aprender como é que se descola o sentimento da alma. Prendê-lo no papel seria só consequência.
sexta-feira, 17 de julho de 2009
Desespero Carencial
Eu quero alguém que tenha coragem. E saiba amar coisas simples e mulheres loucas. Quero alguém que acredite em realidade. Que esteja farto de sonhos perfeitos e Romeu e Julieta. Quero alguém que entenda o que é TPM. Que me faça rir. E que minta pouco. Quero alguém que goste de ler. Que me dê presentes fora de época. Que goste de MPB. E que seja divertido.
Quero um amor que me compre biscoitos divertidos, Nutela e duas alianças. Que tenha uma casa. Com guarda-roupa. TV grande. Banheira de pé. Jardim com laguinho. Gato. Cachorro. E uma cama de casal. ENORME.
(se for cheiroso e beijar gostoso, esqueça tudo)
ps: e se for você, eu me contento com um banho de mangueira (no lugar da banheira) e Nuccita
terça-feira, 14 de julho de 2009
Embrulhada
Tem um monte de barulho morando dentro de mim.
Parecem árvores conversando com o vento, ou crianças correndo atrás do moço do picolé.
Tem dias que parece dor antiga fazendo zumzum.
Os barulhos se misturam.
Embrulham as saudades e depois rasgam o papel de enfeitar,
eles as deixam abertas espalhando cheiro forte.
As vezes aparece barulho novo que num piscar se embaralha aos outros.
Tem dia que é banda de prato e panela. Me fazem dançar até!
Dia desses acordei querendo sorrir silêncio, e não sentir cheiro de saudade.
Mas tanta me deixei 'embarulhar' que dentro de mim parece não ter espaço.
Futuquei, futuquei, tanto futuquei procurando lugar de descansar que fiz um corte.
Mais um barulho.
Descobri que não silencio.
Só em poesia,
Fora dela ganho barulhos
e machucados.
Parecem árvores conversando com o vento, ou crianças correndo atrás do moço do picolé.
Tem dias que parece dor antiga fazendo zumzum.
Os barulhos se misturam.
Embrulham as saudades e depois rasgam o papel de enfeitar,
eles as deixam abertas espalhando cheiro forte.
As vezes aparece barulho novo que num piscar se embaralha aos outros.
Tem dia que é banda de prato e panela. Me fazem dançar até!
Dia desses acordei querendo sorrir silêncio, e não sentir cheiro de saudade.
Mas tanta me deixei 'embarulhar' que dentro de mim parece não ter espaço.
Futuquei, futuquei, tanto futuquei procurando lugar de descansar que fiz um corte.
Mais um barulho.
Descobri que não silencio.
Só em poesia,
Fora dela ganho barulhos
e machucados.
sábado, 11 de julho de 2009
diálogo
Sim moço!
Sou filha do asfato.
Queria mesmo ser da terra,
vinda do mato,
com cheiro de fruta do pé.
Mas não.
Sou filha da rua.
Quadrada, podada e criada.
Sou filha de um carnaval da carne.
Nasci filha mulher,
nunca menina.
E duvido de quem seja.
Sim moço!
Sou filha de puta!
De esquina e caminhão.
Sou filha de um sonho
que nasceu na contramão.
Sou filha do asfato.
Queria mesmo ser da terra,
vinda do mato,
com cheiro de fruta do pé.
Mas não.
Sou filha da rua.
Quadrada, podada e criada.
Sou filha de um carnaval da carne.
Nasci filha mulher,
nunca menina.
E duvido de quem seja.
Sim moço!
Sou filha de puta!
De esquina e caminhão.
Sou filha de um sonho
que nasceu na contramão.
segunda-feira, 2 de março de 2009
Sobre a Solidão
Entender é trancar-se dentro da palavra
Quem não sabe, quem não sabe
Quem não quer saber de nada, gruda a língua
Ao céu da boca, não escuta e finge que
não vê.
Entender é um outro nível da ignorância.
Bastaria um toque se fôssemos livres.
Não é preciso nenhum livro para quem pode
não ler.
Se quisermos, amiga, não entendemos nada...
Tem quem prefira os beijos ás palavras
Tem quem não viva sem um off dizendo
Não, o tempo todo. Tem gente de tudo o que
é tipo.
Só não devemos viver sem o sentido
Sem a realidade, o objeto, o eu e o você.
Somos infelizes. Jamais sobreviveriamos
À liberdade de leves e inconseqüentes
ações.
Quem não sabe, quem não sabe
Quem não quer saber de nada, gruda a língua
Ao céu da boca, não escuta e finge que
não vê.
Entender é um outro nível da ignorância.
Bastaria um toque se fôssemos livres.
Não é preciso nenhum livro para quem pode
não ler.
Se quisermos, amiga, não entendemos nada...
Tem quem prefira os beijos ás palavras
Tem quem não viva sem um off dizendo
Não, o tempo todo. Tem gente de tudo o que
é tipo.
Só não devemos viver sem o sentido
Sem a realidade, o objeto, o eu e o você.
Somos infelizes. Jamais sobreviveriamos
À liberdade de leves e inconseqüentes
ações.
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
Caso
“alguém que nem sei quem é e que provavelmente eu não vou mais ver, mas mesmo assim ele sorriu pra mim...”
Seus olhos são meus
Enquanto me olham, são meus
No silencio tudo é dito
Sei teu nome, basta-me
Se o mestre destino quiser
Encontraremos-nos outra vez
E caso aconteça, faz favor
Quero te conhecer.
Moço cor de Jasmim
Não some dos meus sonhos.
[nem foges de mim,
onde quer que estejas]
Seus olhos são meus
Enquanto me olham, são meus
No silencio tudo é dito
Sei teu nome, basta-me
Se o mestre destino quiser
Encontraremos-nos outra vez
E caso aconteça, faz favor
Quero te conhecer.
Moço cor de Jasmim
Não some dos meus sonhos.
[nem foges de mim,
onde quer que estejas]
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
Citação
"Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem importância, pois nada tem importância. Faço paisagens com o que sinto."
Fernando Pessoa
Fernando Pessoa
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